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O que são células estaminais?

Um bebé começa por ser uma única célula, que se foi dividindo e diferenciando para dar origem aos vários tecidos e órgãos.

Assim, a célula representa a menor porção de matéria viva, sendo uma unidade estrutural e funcional de todos os organismos vivos.

O corpo humano é constituído por mais de 70 triliões de células de diferentes tipos, sendo cada uma delas especializada em funções específicas. Assim, cada órgão do nosso corpo está repleto de milhões de pequeníssimas células, nomeadamente células sanguíneas, células nervosas, células musculares, etc.

As células estaminais também estão presentes em todos os organismos vivos durante toda a vida e podemos encontrá-las em várias partes do corpo humano e em cada uma das fases do seu desenvolvimento.

Ao contrário de todas as outras células, as células estaminais são por definição células primordiais indiferenciadas, isto é, não possuem uma especialização funcional, possuindo propriedades que lhes permitem regenerarem-se e dividirem-se indefinidamente, com a capacidade de:

  • Produzirem cópias de si mesmas, isto é, novas células estaminais com exactamente as mesmas propriedades.
  • Diferenciarem-se dando origem a diversos tipos de linhagens celulares, produzindo muitos outros tipos de células altamente especializadas para qualquer órgão e tecido do corpo, como por exemplo, células nervosas, células cardíacas, células da pele, do sangue, do osso e da cartilagem.

Assim, as células estaminais são possuidoras de características únicas que permitem ao organismo reparar órgãos ou tecidos danificados, bem como substituir as células que vão envelhecendo e morrendo. No fundo, funcionam como um sistema de auto-renovação e reparação contínua do corpo, substituindo ininterruptamente outras células e permitindo uma renovação constante, dado a sua enorme capacidade de se multiplicarem e de se diferenciarem.


Células estaminais embrionárias e não embrionárias

Para cada linhagem celular existem células estaminais específicas, que podemos classificar segundo a sua origem (embrionárias ou não embrionárias, dentro das não embrionárias, poderemos ainda classificar em fetais e adultas), segundo o tipo de especialização (da pele, epiteliais, etc.) ou de acordo com as suas potencialidades, isto é, segundo a sua capacidade de diferenciação, processo pela qual as células vivas se “especializam” para realizar determinada função e produzir novos tipos celulares (totipotentes, pluripotentes ou multipotentes).

As células estaminais embrionárias encontram-se no embrião e podem dar origem a qualquer tipo de célula do organismo. São as únicas células totipotentes, considerando a sua capacidade de produzir novos tipos celulares, ou seja, a sua potencialidade. Isto significa que estas células são totalmente indiferenciadas, correspondendo ao estádio máximo de diferenciação celular. Assim, é a partir destas células estaminais embrionárias que se formam todos os outros tipos de células que compõem o corpo humano, nomeadamente tecidos como os ossos, nervos, músculos e sangue.

O tipo de célula estaminal com maior potencial de diferenciação é o ovo fertilizado ou zigoto, que dá origem aos tecidos que constituem o próprio embrião e aos tecidos essenciais ao desenvolvimento embrionário, tais como o cordão umbilical e a placenta.

As células estaminais não embrionárias (em especial as adultas) estão encarregues de regenerar tecido danificado e encontram-se no corpo humano adulto, nomeadamente na medula óssea, no cérebro, nos vasos sanguíneos do sangue periférico, no músculo-esquelético, na pele, fígado, entre outros. São células essencialmente multipotentes, isto é, ao contrário das células estaminais embrionárias são limitadas na sua capacidade de diferenciação e não conseguem originar todos os tipos de células, apenas células da sua linhagem embrionária (tipos celulares dos tecidos de onde são provenientes por pré-determinação genética).

As células estaminais do cordão umbilical são células estaminais fetais (adultas jovens), mas com características essencialmente pluripotentes e um potencial de diferenciação/proliferativo superior às células estaminais dos tecidos adultos mais tardios.


Fontes de células estaminais

Existem três fontes principais de células estaminais:

  • Cordão umbilical (sangue e tecido)
  • Medula óssea
  • Sangue periférico

As células estaminais podem ainda ser encontradas na mucosa nasal, na polpa dentária e no tecido adiposo, localizado principalmente por baixo da pele, na chamada hipoderme, que modela a superfície do corpo, ajudando no isolamento térmico do organismo e funcionando como depósito de energia.

O Cordão Umbilical

O cordão umbilical é constituído por vasos sanguíneos – duas artérias e uma veia - envolvidos por uma espécie de substância gelatinosa (a geleia de Wharton), que protege os vasos umbilicais, impedindo-os ainda de colapsarem.

Durante muito tempo, o cordão foi considerado material sem utilidade terapêutica, sendo descartado e destruído após o parto.

A partir de 1980, o sangue do cordão umbilical (SCU) começou a ser reconhecido pela medicina como uma fonte rica de células estaminais, nomeadamente células estaminais hematopoiéticas (HSC), uma população de células que tem a capacidade de se diferenciar em células de linhagem sanguínea e do sistema imunitário, dando origem aos componentes do sangue, nomeadamente:

  • Glóbulos brancos (leucócitos) – os agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo, que nos defendem das infecções.
  • Glóbulos vermelhos (eritrócitos) - que transportam o oxigénio dos pulmões para as células de todo o nosso organismo e o dióxido de carbono das células para os pulmões, a fim de ser expirado.
  • Plaquetas - que fazem parte do sistema de coagulação do sangue, actuando nas hemorragias juntamente com o sistema intrínseco, extrínseco e comum de coagulação na formação final do coágulo sanguíneo.

Mais recentemente, os investigadores demonstraram que também o tecido do cordão umbilical (TCU) é rico num tipo especial de células estaminais, as células estaminais mesenquimais (MSC). Estas podem ser facilmente extraídas a partir do tecido gelatinoso existente entre a pele e os vasos sanguíneos do cordão umbilical (geleia de Wharton) e têm o potencial e a capacidade de se diferenciarem noutras linhagens celulares, tais como osteoblastos (osso), adipócitos (tecido adiposo) e condrócitos (cartilagem), originando órgãos e tecido, nomeadamente:

  • Osso
  • Cartilagem
  • Gordura
  • Fígado
  • Neurónios
  • Pâncreas
  • Músculo

A Medula Óssea

A Medula Óssea é um tecido de consistência mole e esponjosa que preenche a cavidade interna dos ossos longos, como por exemplo o osso ilíaco e o esterno, que são estruturas tubulares com o centro oco. Nela encontram-se também células estaminais hematopoiéticas, produzindo os componentes do sangue.

Há mais de 40 anos que são realizadas colheitas de medula óssea, sendo esta a fonte clássica das células estaminais hematopoiéticas para tratamentos hematopoiéticos.

Sangue Periférico

O sangue periférico é aquele que circula no coração, nas veias, nas artérias e nos capilares. É também rico em células estaminais hematopoiéticas.

Colheita das células estaminais nas diferentes fontes

Cordão Umbilical:

A colheita do sangue e do tecido do cordão umbilical é um processo simples e rápido (demora cerca de 4 a 5 minutos para completar), que não interfere com o nascimento do bebé, pois é realizado no parto após o cordão ter sido “cortado” pelo obstetra, separando a mãe do bebé. Nesta altura, é introduzida a agulha instalada no saco de recolha (uma bolsa estéril) na veia do cordão umbilical. Após a colheita do sangue, procede-se à colheita do maior fragmento de cordão umbilical possível, que depois é cortado, desinfectado e massajado, para expulsar algum sangue ainda existente no seu interior. Ambas as acções são totalmente seguras e indolores, não trazendo nenhum risco nem para a mãe nem para o bebé, podendo ser realizadas nos diversos tipos de parto.

Medula Óssea:

A colheita das células estaminais da Medula Óssea pode ser feita directamente, mediante múltiplas punções directas e aspirações, preferencialmente nas cristas ilíacas posteriores (uma parte do osso da anca). Essa extracção é feita num bloco operatório com uma agulha especial e requer anestesia, sendo necessário um pequeno internamento de cerca de 24 horas. O método pode acarretar alguma dor ou desconforto no local da picada durante uma semana (entre 2 a 14 dias), semelhante a uma queda ou injecção intramuscular. O procedimento dura cerca de 60 minutos, tendo o doador que ficar geralmente em observação durante um dia, regressando a casa no dia seguinte. Poderá acarretar riscos adicionais de infecção ou dor crónica.

Mobilização no sangue periférico:

Neste caso as células são retiradas da circulação sanguínea, onde existem em quantidade limitada. É contudo possível estimular o seu desenvolvimento e a sua libertação para o sangue. O processo implica que o dador tenha de tomar previamente um fármaco para aumentar a produção e circulação de células progenitoras da Medula Óssea no sangue periférico. Assim, começa-se por provocar a multiplicação por excesso das células, mediante injecções de factores de crescimento. Esta sobre divisão faz com que deixe de existir espaço físico na Medula Óssea para as células estaminais, que “transbordam” para a corrente sanguínea. Daqui são retiradas por aférese, isto é, através de uma máquina denominada separador de células, em que as células estaminais hematopoiéticas são retiradas do sangue de uma veia do braço e novamente infundidas no doente. Não é um procedimento doloroso nem requer anestesia geral, mas tem alguns efeitos secundários - dor de cabeça, dor de ossos e cãibras musculares – e pode obrigar a que o doente permaneça no hospital durante algumas horas ou durante vários dias.


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    Sangue do Cordão Umbilical (SCU)

    O sangue do cordão umbilical (SCU) é o sangue retirado do cordão umbilical do recém-nascido e da placenta imediatamente após o parto.

    É uma fonte de células estaminais, essencialmente rica em células estaminais hematopoiéticas, especializadas em produzir células dos sistemas sanguíneo e imunitário.

    Estas células estão também presentes na medula óssea, mas no cordão umbilical existem:

    • Em maior concentração;
    • São mais “jovens”, imaturas e ainda pouco estimuladas, o que significa que têm uma grande vitalidade, proliferando muito facilmente.
    • São também mais acessíveis;
    • Têm uma maior plasticidade, isto é, são mais facilmente manipuladas em laboratório sem perderem as capacidades funcionais, sendo capazes de originar vários tipos de células diferentes, de uma forma semelhante às células embrionárias obtidas a partir de embriões clonados ou excedentários da reprodução medicamente assistida ou recentemente, às iPSCs – Células Estaminais Pluripotentes induzidas. Um dos desafios actuais da ciência, aliás, é descobrir os sinais e os estímulos certos para que tal aconteça.
    Vantagens
    • As células estaminais do sangue do cordão umbilical são 100% compatíveis com o próprio bebé. Existe também uma maior probabilidade de tratamento de familiar próximo, como um irmão ou irmã (aproximadamente 25% de probabilidades de que sejam totalmente compatíveis).
    • A probabilidade de sobrevivência após um transplante é mais do dobro quando se utiliza uma amostra de um familiar em vez de um doador anónimo.
    • As células do sangue do cordão umbilicaL estão imediatamente disponíveis no caso de serem necessárias para transplante, isto é, não é necessário procurar e esperar por um dador compatível (a probabilidade normal de encontrar um dador compatível é inferior a 0.01%). A procura de outra fonte de células estaminais pode requerer muito mais tempo, no caso de medula óssea, implica pelo menos aproximadamente 50 dias desde a identificação do dador até à realização da colheita.
    • O sangue do cordão umbilical apresenta uma percentagem qualitativa mais elevada de células estaminais. Devido à recolha ser realizada no início da vida do ser humano, as células estaminais apresentam uma imaturidade que se traduz por uma maior capacidade de multiplicação e de diferenciação.
    • Ao estarem protegidas pela placenta e não tendo praticamente contacto com o meio exterior imediatamente antes da recolha, é expectável que as células do sangue do cordão umbilical estejam livres de qualquer doença, isentas de vírus e com um menor risco transmissão de doenças infecciosas ou de contaminação viral. Confere assim uma vantagem potencial em relação às células autólogas recolhidas durante remissão hematológica de um paciente com essa doença.
    • A utilização das células estaminais do sangue do cordão umbilical é uma técnica de tratamento certificada e comprovada devido ao número crescente de aplicações terapêuticas em todo o mundo, quer em crianças quer em indivíduos adultos.
    • Sendo quase tão versáteis como as células estaminais embrionárias, as células estaminais do sangue do cordão umbilical têm a vantagem de não levantarem problemas éticos na sua recolha nem na sua utilização médica.
    • Quando comparado com o sangue periférico ou com a medula óssea, o sangue do cordão umbilical contém um maior número de células estaminais hematopoiéticas por unidade de volume (cerca de 10 vezes mais).
    • A recolha do sangue do cordão umbilical não apresenta qualquer risco ou dor, quer para o bebé, quer para a mãe, sendo um processo rápido, realizado após o nascimento do bebé.
    • A utilização de células estaminais do sangue do cordão umbilical garante menor incidência de uma das principais causas de morte nos transplantes alogénicos: a doença do enxerto/transplante contra o hospedeiro – GVHD, em que as células imunes funcionais da medula óssea transplantada reconhecem as células do receptor (hospedeiro) como estranhas, desenvolvendo uma resposta imunitária contra estas, atacando células e tecidos da pessoa que os recebe. Geralmente esta doença afecta o fígado, a pele ou o aparelho digestivo, podendo ser grave e até mesmo fatal, podendo ocorrer em qualquer altura depois do transplante, mesmo anos mais tarde. Há medicamentos que podem prevenir, tratar ou controlar este processo de rejeição.
    Limitações

    A maior desvantagem das células do sangue do cordão umbilical relaciona-se com o facto de serem obtidas numa única colheita à nascença, não havendo possibilidade de repetição.

    Assim, caso se tenha de aplicar a própria amostra de células estaminais do sangue do cordão umbilical e se assista a uma recaída, muito provavelmente o doente não terá células estaminas de reserva para outra aplicação.

    Existe também o risco da quantidade de células estaminais extraídas ser reduzida devido ao tamanho e espessura do cordão umbilical, limitando o tratamento até mesmo em crianças ou adultos de menor peso.

    Apesar destas limitações, existem inúmeros grupos de investigação a trabalhar em protocolos de expansão ex vivo, isto é, na descoberta de processos que procuram estimular a divisão e o aumento do número de células estaminais, mantendo as suas características originais e tendo por objectivo múltiplas utilizações de cada amostra e o aumento da sua capacidade para transplantes em adultos. Já foram publicados diversos estudos que revelam resultados iniciais promissores da utilização de células expandidas em pacientes.

    Outra limitação do sangue do cordão umbilical relaciona-se com o caso das doenças congénitas ou de algumas leucemias devidas a alterações cromossómicas, em que a utilização da amostra do próprio poderá ser desaconselhada. No entanto é sempre possível fazer testes genéticos que avaliem o seu potencial terapêutico e num futuro próximo, a hipótese de aplicação de terapias genicas.

    Com efeito, se uma criança tem uma doença congénita nos primeiros anos de vida certamente não poderá ser tratada com as suas próprias células estaminais, pois estas poderão conter a doença. Neste caso, será necessário recorrer a um familiar directo, nomeadamente irmão/irmã, pois a probabilidade de ser compatível é superior.

    De qualquer forma, se a criança tiver a doença com idade mais avançada, as suas próprias células poderão ser idóneas para efectuar o tratamento.

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    Tecido do Cordão Umbilical (TCU)

    O tecido do cordão umbilical é também fonte de células estaminais, neste caso de células estaminais mesenquimais (MSCs).
    Estas células também existem no sangue do cordão umbilical, mas a diferença está na concentração das mesmas em cada um dos produtos biológicos.
    No tecido do cordão umbilical (TCU) encontramos as células mesenquimais em maior concentração: o número de células estaminais mesenquimais em adultos corresponde a 1.000-5.000 células por centímetro cúbico de sangue de cordão umbilical e a 10.000-15.000 células por centímetro de tecido umbilical. Sendo assim, a eficácia do processamento e isolamento de células estaminais mesenquimais do tecido umbilical é de 100% contra 63% no sangue do cordão umbilical, onde predominam as células estaminais hematopoiéticas (do sangue).
    Os dois tipos de células estaminais são importantes para o tratamento de patologias.

    As células estaminais hematopoiéticas (HSC) são as mais conhecidas e actualmente utilizam-se como tratamento experimental ou padronizado para inúmeras doenças relacionadas com o sistema hematológico (doenças do sangue), imunitário (de defesa do organismo) e alguns tipos de cancro, tais como leucemias, linfomas e anemias.

    No entanto, ao contrário destas células (do sangue), que só podem ser utilizadas uma única vez, as células estaminais mesenquimais (do tecido) podem ser multiplicadas e expandidas mais facilmente em laboratório, possibilitando mais do que uma utilização.

    São também células com uma capacidade de diferenciação celular bastante superior às das células estaminais hematopoiéticas.

    Assim, pelo seu grande potencial, no futuro é possível que este tipo de células venha a multiplicar o espectro de aplicações terapêuticas, abrangendo novas possibilidades de extrema importância ao nível da medicina regenerativa, cujo objectivo está na regeneração de órgãos e tecidos, solucionando algumas situações traumáticas ou curando doença.

    As células estaminais mesenquimais (MSCs) podem ser isoladas a partir de muitos tecidos, tais como a medula óssea, tecido adiposo, etc.

    No entanto, o tecido umbilical apresenta mais vantagens em comparação com outros tecidos enquanto fonte de células estaminais mesenquimais.

    Vantagens
    • A descoberta das células estaminais mesenquimais no tecido do cordão umbilical abre uma nova oportunidade de ampliar as terapias onde o uso de células estaminais se mostra efectivo.
    • As células estaminais mesenquimais são a base actual da Investigação da Medicina Regenerativa. A sua capacidade de diferenciação em células de outros tecidos demonstra sua importância em caso de necessidade de regeneração de tecidos afectados por doenças degenerativas e acidentes.
    • As células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical são mais jovens, imaturas e não foram expostas a mutações e contaminações externas. Por isso, e pela sua maior plasticidade, têm uma maior capacidade de se regenerar e de se diferenciar em células específicas de outros tecidos.
    • Tal como acontece com o sangue do cordão umbilical, não se levantam questões éticas na sua recolha, sendo um processo fácil, indolor e sem riscos.
    • No tecido do cordão umbilical encontram-se maior número de células, com maior potencial de diferenciação e taxas mais rápidas de divisão em relação às mesenquimais extraídas da medula óssea. O grande volume de cordão umbilical e a facilidade de manipulação física aumentam o rendimento das células estaminais mesenquimais.
    • Além disso, sabe-se que a capacidade de proliferação destas células diminui com a idade do dador. O número de células estaminais mesenquimais na medula óssea diminui de 1 célula estaminal mesenquimatosa por 10.000 células mononucleares da medula óssea em recém-nascidos para 1 por 100.000 em adolescentes e, finalmente, para 1 por 1.000.000 em adultos.
    • O número de células obtidas a partir de tecido do cordão umbilical é muito maior do que se poderia conseguir nas outras fontes. Acima de tudo, pode conter outras populações de células estaminais residentes com um maior potencial, devido ao seu aparecimento durante o período inicial de desenvolvimento da ontogénese.
    Limitações
    • Actualmente, não existem tratamentos consolidados com células estaminais mesenquimais. No entanto há mais de 300 ensaios clínicos em curso ou concluídos sobre a aplicação de células estaminais mesenquimais que em breve poderão chegar à população.
    • Para além do Tecido do Cordão umbilical, existem outras fontes de células estaminais mesenquimais, nomeadamente a medula óssea e o tecido adiposo. Contudo, convém salientar que no caso das células estaminais mesenquimais do tecido umbilical a sua obtenção directa, sem os riscos que se corre através das outras fontes, onde necessário submeter-se a tratamentos que utilizam técnicas invasivas sobre o próprio paciente: lipoaspiração no caso da gordura e biopsias no caso da aspiração da medula óssea.

    Vantagens da utilização do sangue e do tecido do cordão umbilical

    As células estaminais do tecido do cordão umbilical não geram rejeição e atenuam a resposta imunológica. Esta característica torna-as únicas no uso de células estaminais mesenquimais combinadas com as células estaminais hematopoiéticas (oriundas tanto do cordão umbilical como de medula óssea ou de sangue periférico) aumentando substancialmente o sucesso do transplante hematopoiético.

    O sucesso de um transplante hematopoético baseia-se na reconstituição imunológica do paciente, que é verificada através da contagem dos leucócitos no sangue periférico após o mesmo.

    A rapidez com que se efectua a reconstituição imunológica, que irá determinar a sobrevivência ou não do paciente, depende de inúmeros factores, nomeadamente:

    • Número de células transplantadas
    • A fonte de células utilizada
    • O desenvolvimento ou não da Doença do Enxerto contra o Hospedeiro (GVHD), em que as células imunes transplantadas reagem contra as células e tecidos da pessoa que os recebe.

    A incidência da Doença do Enxerto contra o Hospedeiro (GVHD) é menor quando se utiliza o Sangue do Cordão Umbilical mas a reconstituição imunológica é mais lenta do que nos transplantes com a medula óssea ou sangue periférico.

    Combinando a utilização de células estaminais hematopoiéticas do sangue do cordão umbilical com células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical a recuperação imunológica será mais rápida, aumentando a taxa de sucesso do transplante.

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    Aplicações terapêuticas actuais

    Decorridos mais de 20 anos de pesquisas e experiência terapêutica, actualmente já são várias as utilizações possíveis para as células estaminais. Para já, as células estão a ser usadas com sucesso como tratamento consolidado em inúmeras doenças, nomeadamente diversos tipos de cancro, deficiências imunológicas, doenças genéticas e distúrbios do sangue. Certamente que no futuro a lista de doenças tratáveis com células estaminais do cordão umbilical será bastante maior.

    Lista completa de doenças tratáveis com tratamento padronizado

    O tratamento com células estaminais do cordão umbilical é eficaz e está totalmente comprovado, padronizado e generalizado nas seguintes doenças:

    1. Doenças onco-hematológicas

    • Leucemias
      • Leucemia linfóide aguda
      • Leucemia mielóide aguda
      • Leucemia bifenotípica aguda
      • Leucemia indiferenciada aguda
    • Leucemia crónica
      • Leucemia mielóide crónica
      • Leucemia linfóide crónica
      • Leucemia mielóide crónica juvenil
      • Leucemia mielomonocítica juvenil
    • Sindromas mielodisplásticos
      • Anemia refractária
      • Anemia refractária com sideroblastos em anel
      • Anemia refractária com excesso de blastos
      • Anemia refractária com excesso de blastos em transformação
      • Leucemia mielomonocítica crónica
    • Linfomas
      • Linfoma de Hodgkin
      • Linfona não Hodgkin
    • Disfunções mieloproliferativas
      • Mielofibrose aguda
      • Metaplasia mielóide agnogénica
      • Policitemia vera
      • Trombocitemia essencial
    • Cancro na medula óssea
      • Mieloma múltiplo
      • Leucemia de plasmócitos
      • Macroglobulinemia de Waldenstrom

    2. Deficiências medulares

    • Anemia Aplástica
    • Anemia Aplástica severa
    • Anemia sideroblástica congénita
    • Síndrome de Kostmann
    • Anemia de Fanconi
    • Anemia de Blackfan Diamond
    • Trombocitopenia amegacariocítica
    • Síndrome de Shwachmon-Diamond
    • Síndrome de Evans

    3. Anomalias hereditárias dos Glóbulos Vermelhos

    • Beta talassemia major (anemia de Cooley)
    • Anemia falciforme
    • Anemia Blackfan-Diamond
    • Aplasia pura dos Eritrócitos
    • Anemia Falciforme

    4. Desordens Congénitas plaquetárias:

    • Trombastenia de Glanzmann
    • Trombocitopénia congénita
    • Amegacariocitose

    5. Doenças Mieloproliferativas

    • Mielofibrose Aguda
    • Metaplasia Mielóide Agnogênica (Mielofibrose)
    • Policitemia Vera
    • Trombocitemia Essencial

    6. Disfunções do sistema imunitário hereditárias

    • Imunodeficiências combinadas graves
      • SCID com deficiência e Adenosina Deaminase (ADA-SCID)
      • SCID ligada ao cromossoma X
      • SCID com ausência de células T e B
      • SCID com ausência de células T, células B normais
      • Síndrome de Omenn
    • Desordens do sistema imune, neutropenias:
      • Síndrome de Kostmann
      • Mielocatexia
    • Disfunções da fagocitose
      • Síndrome de Chediak-Higashi
      • Doença granulomatosa crónica
      • Deficiência em actina dos neutrófilos
      • Disgénese reticular
    • Outras:
      • Ataxia-telangiectasia
      • Síndrome dos linfócitos nus
      • Imunodeficiência comum variável
      • Síndrome de DiGeorge
      • Deficiência da adesão leucocitária
      • Síndrome Hemofagocítico
      • Síndrome de Wiskolt-Aldrich

    7. Outras Neoplasias (Tumores sólidos)

    • Neuroblastoma
    • Retinoblastoma
    • Sarcoma

    8. Doenças congénitas que afectam o sistema imunitário e outros órgãos:

    • Doença de Gunther
    • Síndrome Hermansky-Pudlak
    • Síndrome Pearson
    • Síndrome Shwachman-Diamond
    • Mastocitose sistémica

    9. Doenças Metabólicas Congénitas

    • Adrenoleucodistrofia
    • Síndrome de Hurler
    • Doença de armazenamento de mucopolissacarídeos
    • Mucopolisacaridosis
    • Síndrome de Scheie
    • Síndrome de Sanfilippo (MPS – III)
    • Síndrome de Morquio
    • Síndrome de Maroteaux-Lamy (MPS – VI)
    • Síndrome de Sly (MPS-VII)
    • Mucolipidose tipo II, III
    • Leucodistrofias
    • Doença de Krabbe
    • Leucodistrofia metacromática
    • Doença de Pelizaeus-Merzbacher
    • Doença do armazenamento lisossomal
    • Doença de Gaucher
    • Doença de Niemann-Pick
    • Doença de Sandhoff
    • Doença de Tay-Sachs
    • Doença de Wolman

    10. Outras doenças

    • Síndrome de Lesch-Nyhan
    • Osteoporose

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    Aplicações terapêuticas futuras

    Embora até hoje existam muitas doenças diferentes cujo tratamento pode ser feito com células estaminais do sangue do cordão umbilical, a verdade é que todos os dias investigadores e cientistas procuram novas curas e avanços nesta área, revelando resultados e casos de sucesso.

    Assim, actualmente decorrem mais de 300 ensaios clínicos* em mais de 600 laboratórios de criopreservação de células estaminais em todo o mundo, para tratamentos de outras doenças com possibilidade de melhoria ou cura.

    * Os ensaios clínicos são realizados para comprovar a eficácia e/ou segurança de uma nova terapêutica em seres humanos. Processam-se em fases distintas e podem demorar anos até serem implementados na Medicina. Assim, embora estes ensaios clínicos reflictam a potencialidade das células estaminais, sendo alguns deles já aplicáveis, não existe garantia de que as terapias em estudo possam vir a ser reais.

    Para além das doenças de foro sanguíneo – como as leucemias, anemia, linfomas, aplasias medulares, imunodeficiências e doenças metabólicas, entre outras – cujo tratamento é realizado com o transplante de células hematopoiéticas do sangue do cordão umbilical, avizinham-se novas possibilidades de extrema importância com a aplicação das células mesenquimais do tecido do cordão umbilical.
    Estudos experimentais, ensaios pré-clínicos e ensaios clínicos têm vindo a comprovar o potencial terapêutico das células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical, que multiplica o espectro de aplicações no futuro, relacionadas nomeadamente com a reconstrução de tecidos lesionados e doentes - tais como músculos e cartilagem – e funcionando como células substitutas nos casos de Alzheimer, Parkinson, Esclerose Múltipla e doenças cardiovasculares em geral. Podem também originar células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, nomeadamente células produtoras de insulina, como no caso da diabetes 1.
    Ensaios clínicos têm também revelado grandes resultados para doenças como a Doença de Crohn, lesão da medula espinal após trauma, cirurgias de reconstrução (mama, traqueia, pele, etc.), intervenções no coração (ataque cardíaco e criação de válvulas do coração), lesões por Acidente Vascular Cerebral, Acção anti-inflamatória em processos de cura/cicatrização (fístulas).
    As células estaminais mesenquimais podem também ser utilizadas como coadjuvante nos transplantes hematopoiéticos, ou seja, em conjunto com as células estaminais do sangue do cordão umbilical em infusão, O objectivo  é reduzir as complicações associadas aos transplantes alogénicos, aumentando a probabilidade de sucesso dos mesmos.

    • Outros usos potenciais das células estaminais mesenquimais:
      • Novos modelos de investigação celular para a compreensão de malformações ou desordens genéticas.
      • Novas metas para testar efeitos de novos medicamentos ou como terapias de apoio.

    As células estaminais mesenquimais são também compatíveis com os familiares directos do bebé, o que vai permitir que pais e irmãos da criança possam beneficiar também das suas potencialidades.

    Lista de doenças em ensaios clínicos

    Nestas doenças, o tratamento com células estaminais do sangue do cordão umbilical é favorável, mas ainda não está padronizado. Nalguns casos, observou-se que retardam a evolução da doença, embora não a curem. Noutros casos, demonstrou-se a cura mas a dose e a posologia ainda se encontra em fase de investigação clínica.

    Assim, encontram-se em ensaios clínicos a utilização das células estaminais em transplantes para tumores cancerígenos, em doenças hereditárias que afectam o sistema imunitário e outros órgãos, em doenças metabólicas hereditárias e em transplantes para doenças de proliferação celular.

    • Doenças auto-imunes
      • Diabetes Tipo I
      • Artrite juvenil
      • Artrite Reumatóide
      • Doença de Crohn
      • Dermatomiosite juvenil
      • Esclerodermia
      • Lupus
    • Desordens de proliferação celular e metabolismo
      • Firbrose Cística (ou quística)
    • Doenças degenerativas do sistema nervoso central
      • Paralesia Cerebral
      • Esclerose
      • Doença de Alzheimer
      • Doença de Huntinglon
      • Lesões traumáticas
      • Lesões da medula espinal
      • Doença de Parkinson
    • Terapia cardíaca
      • Enfarte do miocárdio
      • Angina
      • Cardiomiopatia
      • Transplantes para tumores cancerosos
      • Cancro do Pulmão
      • Sarcoma de Ewing
      • Carcinoma renal
      • Doença cardíaca isquemica
      • Doença cardíaca congénita (Síndrome de hipoplasia do coração esquerdo)
    • Acidente Vascular Cerebral (AVC)
    • Reparação de órgãos
      • Perda Auditiva adquirida
      • Deficiência visual

    Lista de doenças em fase experimental

    Neste caso, o benefício do tratamento com as células estaminais do sangue do cordão umbilical ainda não está comprovado. Alguns tratamentos já se encontram em ensaios clínicos, mas ainda numa primeira fase. Noutros, os testes estão ainda em fase laboratorial, nomeadamente em culturas celulares ou em experimentação animal.

    Pensa-se que as células estaminais poderão vir a ser úteis no futuro em doenças auto-imunes, terapia génica, reparação de células do sistema nervoso, doenças degenerativas ou traumática e reparação de fracturas ósseas e reparação de órgãos (rim, fígado).

    Nestas aplicações revelam-se particularmente importantes as células estaminais mesenquimais provenientes do tecido do cordão umbilical, que têm enormes potencialidades numa das áreas mais arrojadas do tratamento com células estaminais: a da medicina regenerativa.

    • Regeneração óssea
    • Enfarte do miocárdio
    • Reparação de lesão do neurónio motor
    • Regeneração / engenharia de tecidos
    • Doenças auto-imune
    • Distúrbios músculo-esqueléticos
    • Regeneração capilar
    • Cicatrização

    Sabe-se também que o sangue do cordão umbilical, para além das células estaminais hematopoiéticas contém também células progenitoras endoteliais, que se podem diferenciar em células neuronais, ósseas, hepáticas, entre outras.